Reprodução Humana

O sonho da maternidade é compartilhado por muitos casais. Pensar em expandir a família é uma verdadeira aventura, requer amor e muitos cuidados. É por isso que muitas famílias se planejam para ter o primeiro filho e se organizam financeira e emocionalmente para a gestação e o crescimento do bebê. Apesar disso, não é raro que alguns casais encontrem obstáculos biológicos, que dificultam a conquista do sonho. Segundo a Organização Mundial de Saúde, aproximadamente 15% da população mundial em idade fértil sofre com problemas relacionados à fertilidade. E vale lembrar que, ao contrário do que muitos acreditam, a infertilidade não está relacionada apenas a características do corpo da mulher.

No Brasil, estima-se que as taxas de infertilidade são similares entre homens e mulheres: 40% dos casos são devidos à infertilidade masculina, 40% se devem à infertilidade feminina e os 20% restantes representam problemas comuns do casal ou infertilidade sem causa aparente. Por mais assustadoras que possam parecer as estatísticas, cerca de 15% dos casais afetados procuram tratamentos de Reprodução Humana e, deste número, apenas 5% das famílias continuam sem ter filhos. Atualmente, a ciência da Reprodução Humana dispõe de técnicas que elevam as chances de qualquer casal gerar um bebê.

 

2. Definição de Reprodução Humana

A Reprodução Humana é a ciência que estuda casais com dificuldade de engravidar, desde o diagnóstico até técnicas de tratamento para fertilidade. A infertilidade é definida como a ausência de gravidez após o período de um ano, com relações sexuais frequentes (cerca de 3 vezes por semana) e sem o uso de métodos contraceptivos. Diante desta dificuldade, recomenda-se que o casal passe por uma avaliação com um médico especialista e realize alguns exames para descobrir por que a gravidez ainda não aconteceu. Para mulheres com mais de 35 anos, atualmente se recomenda que a investigação seja realizada após 6 meses de tentativas. Para entender os tratamentos e procedimentos é importante discutirmos algumas questões básicas sobre a reprodução humana. Alguns conceitos serão fundamentais para que você possa compreender o motivo pelo qual alguns exames são realizados e aspectos fundamentais do tratamento.

 

3. Reprodução Humana: Como acontece a gravidez?

A Reprodução, portanto, estuda como surge a gestação e todos os fatores que podem influenciá-la. Quando pensamos no início da vida, logo imaginamos o encontro do óvulo com o espermatozoide. Mas o que é necessário para que este encontro aconteça? Que tal começarmos pelo óbvio? Óvulos e espermatozoides precisam existir! Eles recebem o nome genérico de gametas, que se diferem das outras células do corpo porque contêm somente metade do nosso material genético. Isto é necessário para que o embrião resultante da união dos dois tenha metade do

material genético (cromossomos, que contêm o DNA) da mãe e metade do pai. Aqui, precisamos entender de onde vêm os óvulos e os espermatozoides e quais são as condições necessárias para que o encontro deles aconteça.

 

Óvulos: são formados nos ovários. Em um ciclo menstrual normal, um folículo ovariano libera um óvulo que vai para trompa, para que possa ser fertilizado pelo espermatozoide.

Menstruação: é a fase do sangramento, que ocorre pela descamação do endométrio (camada interna do útero).

 

Vamos falar um pouco sobre os hormônios envolvidos com ciclo menstrual e gestação. A Reprodução Humana também estuda fenômenos envolvidos com esses hormônios, bem como o uso de formas exógenas nas técnicas de reprodução assistida.

 

– FSH (hormônio folículo estimulante) é responsável pelo crescimento folicular.

 

– LH (hormônio luteinizante) será o responsável pelo rompimento do folículo e liberação do óvulo.

 

– Estradiol (estrogênio), que promove o crescimento do endométrio; acontece se a mulher não engravidar.

 

– Progesterona é o hormônio da gestação, como o próprio nome indica e tem o objetivo de fazer o preparo final do endométrio, tornando-o nutritivo para receber o embrião que deverá chegar dentro de alguns dias.

 

Quando um embrião implanta no endométrio, passa a produzir o hormônio da gravidez: a gonadotrofina coriônica (hCG). O hCG serve de “combustível” para a gestação e impede que os níveis de progesterona caiam. Mantendo os níveis altos de progesterona, o endométrio (agora com um embrião implantado, ou seja, gravidez!) não descama e o sangramento não ocorre.

 

Todas estas fases e ações hormonais bem como suas disfunções são estudados pela Reprodução Humana e são importantíssimas para a compreensão de como e por que fazemos a investigação do casal infértil e os tipos de tratamento em reprodução humana indicados para cada caso.

 

Período fértil: são os dias próximos ao momento da ovulação, quando é maior a chance de que a mulher engravide. Vimos que o folículo em desenvolvimento produz o hormônio estradiol. Além de preparar o endométrio, o estradiol também aumenta a secreção de muco por células do colo uterino. Por este motivo, no período fértil, muitas mulheres conseguem perceber uma secreção diferente pela vagina, cuja consistência lembra a clara do ovo: é o muco produzido pelo colo, que tem a função de facilitar a passagem dos espermatozoides pelo colo uterino, para que eles alcancem a cavidade uterina e penetrem nas trompas, em busca do óvulo. 

 

Após a ovulação, o aspecto do muco modifica: ele fica mais turvo e mais espesso. Este muco mais espesso tem o objetivo de formar uma rolha para fechar o colo e proteger a cavidade uterina, onde um embrião poderá chegar nos próximos dias. Como você já deve ter percebido a esta altura, o ciclo menstrual cuida de cada detalhe para fazer com que a mulher engravide!

 

Ovulação: ao ser liberado pelo ovário, o óvulo deverá ser captado pela trompa. A trompa, em sua extremidade que faz contato com o ovário, tem um mecanismo próprio para que o óvulo entre nela. Para isto, ela se movimenta sobre o ovário, quase como se estivesse varrendo. Quando o óvulo é liberado, ele entra diretamente no canal da trompa.

 

Fecundação: o encontro do óvulo com os espermatozoides, pelo que já vimos, depende de cada um deles percorrer o trajeto correto no trato genital da mulher. O óvulo sai do ovário e entra na trompa; o espermatozoide percorre um longo caminho, passando pela vagina, colo do útero, cavidade uterina (endométrio) e, finalmente, trompa.

 

Migração do embrião: uma vez fertilizado, o embrião resultante deverá continuar seu caminho, desde a trompa, até atingir a cavidade uterina (endométrio), pois este será o local correto para ele implantar. A movimentação das trompas é fundamental para ajudar nessa viagem do embrião. Cerca de 4 a 5 dias após a fecundação, o embrião chega ao útero.

 

Nidação ou implantação: para que a mulher engravide, não basta o embrião chegar ao útero; ele tem que implantar, ou seja, grudar no endométrio, para que possa se desenvolver. A implantação (ou nidação) ocorre cerca de 6 dias após a fecundação do óvulo. Alguns dias após a implantação, já haverá contato do embrião com o sistema circulatório materno e o hormônio da gravidez produzido por ele (o hCG – gonadotrofina coriônica humana), poderá ser detectado no sangue inicialmente e, alguns dias após, na urina.

 

4. Principais fatores de infertilidade em Reprodução Humana

A Reprodução Humana também estuda os fatores de infertilidade. Abaixo estão os principais fatores que podem dificultar uma gestação.

a. Femininos
i. Anovulação: o Exemplo mais clássico é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)
ii. Fator tuboperitoneal: O fator tuboperitoneal não é uma doença por si, mas uma condição que pode decorrer de processos infecciosos ou hemorrágicos no abdome, cirurgias prévias, endometriose, etc.
iii. Endometriose: é uma doença na qual um tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Pode acometer ovários, trompas, pertiônio, bexiga, intestinos e até mesmo órgãos mais distantes. Por este motivo, a endometriose é uma das principais causas de fator tuboperitoneal de infertilidade. Quando presente nos ovários, pode também prejudicar o processo de ovulação.
iv. Fatores uterinos: Há situações em que o espaço da cavidade uterina pode estar comprometido, como, por exemplo, na presença de miomas (nódulos de musculatura uterina), pólipos, sinéquias,
adenomiose, septos uterinos. (para maiores informações sobre fatores uterinos, leia nosso post sobre esse assunto no nosso blog)

b. Masculinos
i. Disfunções sexuais: dificuldades de manter a ereção que permita as relações sexuais podem fazer parte do fator de infertilidade, sejam por causas psicológicas ou anatômicas.
ii. Alteração da qualidade do sêmen: diminuição da concentração, motilidade ou morfologia (formato) dos espermatozoides.
iii. Azoospermia: este termo se refere à ausência total de espermatozoides no sêmen. Ela pode decorrer de alguma obstrução à passagem dos espermatozoides dentro do próprio trato genital
masculino ou à ausência da produção de espermatozoides pelos testículos.

c. ISCA: em cerca de 10 a 15% dos casos de infertilidade, mesmo após o casal ter realizado todos os exames, não é encontrada nenhuma causa que justifique a ausência da gravidez. Isto não significa que não exista uma causa. Evidentemente, algo está dificultando a gravidez, mas os exames  diagnósticos são limitados e há inúmeros outros possíveis fatores de infertilidade para os quais não existem exames investigativos – sem contar, ainda, com os fatores ainda desconhecidos.

 

5. A investigação do casal

PARA A MULHER:
1) Ultrassonografia transvaginal
2) Histerossalpingografia
3) Dosagens de hormônios (FSH, LH, estradiol, progesterona, Hormônio Anti-
Mulleriano, Prolactina, TSH, T4 livre).

PARA O HOMEM:
1) Espermograma
2) Ultrassonografia da bolsa escrotal

 

É importante lembrar que esses exames descritos são aqueles que, em Reprodução Humana e Infertilidade, costumamos pedir na investigação básica dos casais. Dependendo dos achados e dos diagnósticos realizados (ou suspeitados), outros exames e procedimentos poderão ser necessários até que se faça o diagnóstico completo do caso.

6. Tipos de tratamento em Reprodução Humana

 

  1. Controle ovulatório: é a forma mais simples que empregamos para ajudar o casal na busca pela gravidez. Muitas vezes, dependendo da duração do ciclo menstrual, a ovulação não acontece exatamente no 14º ou 15º dia do ciclo, que é quando a maior parte dos casais concentra as relações sexuais quando estão tentando engravidar. Com simples controles de ultrassom transvaginal, temos condições de acompanhar o crescimento do folículo dominante e identificar corretamente o início do período fértil, quando a chance de concepção é maior.

 

  1. Indução da ovulação: se a paciente tem história de ciclos muito irregulares ou diagnóstico prévio de anovulação (como acontece na síndrome dos ovários policísticos, por exemplo), podemos prescrever medicamentos que levem ao desenvolvimento de um folículo dominante e consequente ovulação. Este tipo de tratamento só terá sentido se as trompas estiverem pérvias, pois de nada adianta promovermos a ovulação se não houver trompas funcionantes que possibilitem o encontro do óvulo com os espermatozoides.

 

  1. Coito programado: o coito programado é a relação sexual programada no período ovulatório (detectado pelo acompanhamento ultrassonográfico de um ciclo espontâneo ou na ovulação induzida com medicamentos).

 

  1. Inseminação intrauterina (IIU): também conhecida como inseminação artificial, consiste na introdução de espermatozoides na cavidade uterina no momento da ovulação. Ela costuma ser indicada quando existe alteração não muito grave da qualidade do sêmen ou distúrbios de ovulação. Quando o espermograma mostra que a concentração e/ou a movimentação (motilidade) dos espermatozoides está moderadamente comprometida, a amostra do sêmen pode passar por um processamento no laboratório com o objetivo de separar e concentrar os melhores espermatozoides, com maior motilidade. Com um fino cateter que passa pelo colo do útero (em um procedimento muito simples, semelhante a um exame ginecológico de rotina). Os espermatozoides são colocados já no interior da cavidade uterina, de onde deverão entrar nas trompas e encontrar o óvulo captado no momento da ovulação. Evidentemente, assim como na indução da ovulação para coito programado, a função das trompas será fundamental para que uma IIU resulte em gravidez

 

  1. Fertilização in vitro (FIV): fertilização in vitro é uma modalidade de reprodução humana na qual a fertilização do óvulo ocorre fora do organismo da mulher. Nestes casos, precisamos fazer com que os ovários produzam vários óvulos ao mesmo tempo, que deverão ser retirados por um procedimento chamado aspiração folicular para obtenção dos óvulos maduros que são fertilizados in vitro (no laboratório), pelos espermatozoides para posterior formação dos embriões. Os embriões em questão são transferidos para o interior da cavidade endometrial, onde ocorre a implantação e para uma possível gravidez.

 

Abaixo estão listadas as principais indicações de FIV em Reprodução Humana

 

  1. Fator tubário: quando as trompas estão obstruídas ou mesmo ausentes (após cirurgias, por exemplo). A obstrução tubária é uma das grandes indicações de FIV.

 

  1. Fator masculino grave: quando a qualidade do sêmen é muito alterada, nem mesmo o processamento no laboratório consegue concentrar quantidades suficientes de espermatozoides para que eles alcancem o óvulo na trompa. Precisamos, assim, ajudar esse encontro através da FIV.

 

iii. Falhas de tratamento de baixa complexidade: quando o casal já passou por alguns tratamentos de baixa complexidade (como IIU, por exemplo) sem sucesso, a FIV pode ser indicada com o intuito de aumentar as chances de sucesso.

 

  1. Tempo de infertilidade: os estudos mostram que quanto maior o tempo de infertilidade de um casal, menores as chances de sucesso com tratamentos de baixa complexidade. Desta forma, é frequente indicarmos FIV como tratamento inicial para casais que estão tentando a gravidez há mais de 4 anos, por exemplo.

 

  1. Mulheres com idade mais avançada: há situações em que precisamos indicar logo um tratamento que ofereça as maiores taxas de sucesso. A situação mais corriqueira em que isso acontece é quando a mulher tem idade próxima dos 40 anos. Sabemos que as taxas de sucesso caem progressivamente após os 40 anos, de forma que não devemos gastar muito tempo com métodos que resultem em taxas mais baixas de gravidez.

 

  1. Preservação de fertilidade: quando o casal não tem o objetivo de gravidez imediata, pelos mais diferentes motivos, existe a possibilidade de congelarmos embriões. Obviamente, em tais casos, deve-se realizar a FIV.

 

vii. Indicação de estudo genético dos embriões: esta é uma indicação mais particularizada de tratamento de reprodução assistida: pesquisar doenças genéticas nos embriões com o objetivo de impedir que nasça uma criança afetada por doença grave. Atualmente, é possível fazer biópsia dos embriões em desenvolvimento no laboratório e estudar se determinado embrião tem alguma alteração cromossômica (como síndrome de Down, por exemplo) ou mutação genética relacionada à doenças hereditárias, muitas vezes graves, como fibrose cística, distrofias musculares, entre outras.

 

  1. Fertilização in vitro com gametas doados: há situações em que precisamos usar gametas (óvulos ou espermatozoides) doados, pela impossibilidade de obtermos gametas próprios do casal ou pelo fato de as chances de sucesso serem muito baixas, como veremos a seguir. É importante lembrar que, no Brasil, a doação de gametas é sempre anônima, ou seja, doadores não conhecerão a identidade de receptores e vice-versa.

 

  1. Ausência de óvulos ou de espermatozoides: quando os ovários não produzem mais óvulos (seja em mulheres mais velhas ou mesmo em jovens com menopausa precoce) ou os testículos não produzem espermatozoides, a utilização de gametas doados pode ser a solução para a obtenção da tão sonhada gravidez.

 

  1. Casais homoafetivos: obviamente, em tais casos, só existe um tipo de gameta: óvulos ou espermatozoides. Portanto, será necessária a utilização de gametas doados para que se possam formar embriões.

 

  1. Útero substitutivo
  2. Impossibilidade de gestação: há condições em que a mulher não pode engravidar por doenças crônicas e/ou por problemas uterinos, ainda que possua ovários e produza óvulos de boa qualidade. Nestes casos, há a necessidade da participação de uma terceira pessoa no tratamento: a mulher que cederá temporariamente o útero, que gestará o filho de outro casal. É o que se denomina útero substitutivo.

 

  1. Homoafetivos masculinos: nestes casos, obviamente, haverá a necessidade do útero substitutivo, além dos óvulos doados. Importante lembrar que a pessoa que cederá o útero deverá ter grau de parentesco em até quarto grau, não sendo a mesma que doará os óvulos (pois a doação de gametas é sempre anônima).

 

 

REPRODUÇÃO HUMANA É UMA CIÊNCIA MUITO VASTA E COMPLEXA, MAS COM CERTEZA DE UMA IMPORTÂNCIA MUITO GRANDE, POIS É ATRAVÉS DA REPRODUÇÃO HUMANA QUE CONSEGUIMOS DIAGNOSTICAR E TRATAR CASAIS INFÉRTEIS, AJUDANDO-OS A REALIZAR O SONHO DE TER FILHOS.

Perguntas Frequentes

Confira abaixo algumas das principais dúvidas e perguntas que os nossos pacientes fazem:

Quais os principais exames para saber se sou infértil?

Saiba mais

Como funciona e como calcular período fértil de uma mulher?

Saiba mais

o que é a síndrome dos ovários policísticos?

Saiba mais
Veja as perguntas mais comuns

Central Educativa

Veja nossos artigos e materiais educativos sobre fertilidade e tópicos relacionados à reprodução humana.

Ver mais

Venha nos visitar

Venha nos visitar

Localização:

R. Teixeira da Silva 54, 11º Andar | Bela Vista - São Paulo, SP A 100 metros do Metrô Brigadeiro

Segunda a sexta, das 08 às 19h, e Sábado das 8 às 12h .

Entre em Contato

Disponibilizamos canais exclusivos para atendimento de nossos clientes. Preencha o formulário, ou se preferir utilize outro canal de contato abaixo.

Tem alguma dúvida? Ligue para Nós!

Ligue para Nós 11 4750.2231

Envie um WhatsApp!

11 99738.3269

Clínica Viventre © 2020 - Todos os direitos reservados.

Criação de Site: Agência 3xceler
Olá!

Gostaria de receber uma ligação?

Ligar