Biópsia de embrião

Cromossomos e genes

Para entendermos a base das indicações de biópsia embrionária, é preciso compreender o conceito de genes e de cromossomos. O começo parecerá confuso, mas depois tudo ficará claro, não desista. Nosso material genético (genoma) é formado por cadeias de DNA (ácido desoxirribonucleico). O DNA, por sua vez, contém os genes, que são formado por nucleotídeos em sequência. Cada nucleotídeo contém uma de quatro bases nitrogenadas em sua composição: adenina (A), guanina (G), citosina (C) e timina (T). A ordem em que estas bases nitrogenadas aparecem na sequência do DNA determinará a função específica de cada gene.  Complicado? Vamos simplificar!

 

Imaginemos que nosso genoma é um LIVRO. Toda nossa informação genética está escrita ali. Cada base nitrogenada (A, G, C ou T) é uma LETRA deste livro. Os genes são as PALAVRAS: só fazem sentido se as letras forem colocadas na ordem correta. Existe uma quantidade imensa de palavras neste livro, que está organizado em CAPÍTULOS, que são os cromossomos. O livro contém 46 capítulos (46 cromossomos). Cada capítulo/cromossomo tem uma quantidade enorme de palavras/genes - formadas por letras (nucleotídeos com bases nitrogenadas A, G, C ou T).

 

Doenças genéticas são aquelas que envolvem mutações na sequência de bases nitrogenadas (letras). Assim como uma simples troca, adição ou deleção de letra pode transformar bola em bala, dama em drama ou um violão em vilão, mudanças das bases nitrogenadas podem alterar completamente a função de um determinado gene, causando, por exemplo, doenças monogênicas, ou seja, decorrentes da mutação de um gene.

 

Já as doenças cromossômicas envolvem a retirada ou a adição de capítulos ao livro, o que também pode ser muito prejudicial ao sentido da história que se pretende contar. Uma doença cromossômica bastante conhecida é a síndrome de Down, que decorre de um cromossomo 21 extra. 

 

Existem ainda situações em que o número dos capítulos/cromossomos está correto, mas existem trocas de partes dos capítulos entre si ou mesmo mudanças na sua ordem. Dizemos que estas são alterações cromossômicas estruturais, que nem sempre trazem problemas para a “compreensão da história”. 

Antes de passar para a leitura sobre a biópsia embrionária, certifique-se de que entendeu bem a analogia: genoma/livro; cromossomos/capítulos; genes/palavras; bases nitrogenadas/letras. 

PGT-A, PGT-M e PGT-SR

 

(Antes de seguir adiante, certifique-se de ter compreendido a analogia proposta no texto sobre cromossomos e genes.)

 

Quando um casal é submetido a um tratamento de fertilização in vitro, é possível que os embriões formados passem por uma biópsia antes da transferência para o útero. A biópsia retira células para análise. Há diferentes tipos de estudos, definidos pelas siglas PGT-A, PGT-M e PGT-SR. Vamos entender cada um destes testes.

 

  • PGT-A (preimplantation genetic testing for aneuploidy): é o teste pré-implantacional para aneuploidia, ou seja, com o objetivo de avaliar se o número de cromossomos está correto (o número dos capítulos, usando a nossa analogia genoma/livro). Embrião euploide é aquele que contém 46 cromossomos, enquanto que o aneuploide pode ter cromossomos a mais ou a menos. 

 

  • PGT-M (preimplantation genetic testing for monogenic diseases): é o teste pré-implantacional para doenças monogênicas. Neste caso, estamos em busca de uma mutação específica previamente conhecida, geralmente porque já sabemos que um dos membros do casal é portador desta mutação. Portanto, no PGT-M, não analisamos o número dos cromossomos, mas fazemos a busca de um gene específico com mutação (na nossa analogia, estamos em busca de uma palavra escrita de forma errada). Somente transferiremos o embrião que não tiver o gene alterado, evitando, assim, o nascimento de uma criança com a doença genética em questão. 

 

  • PGT-SR (preimplantation genetic testing for chromosomal structural rearrangements): é o teste pré-implantacional para rearranjos estruturais dos cromossomos. Consiste em checar se as alterações estruturais dos cromomossomos não acarretam ganho ou perda de material genético. Em outras palavras, se não está havendo falta de trechos ou capítulos inteiros do livro, bem como capítulos repetidos, trocados ou invertidos. 

Biópsia de embrião: SIM ou NÃO?

 

Pacientes em tratamento de fertilização in vitro costumam ter uma dúvida frequente: fazer ou não biópsia dos embriões antes da transferência para o útero? A dúvida surge, em geral, em relação ao PGT-A (veja o texto sobre os diferentes testes aos quais o embrião pode ser submetido). Casos de mutações genéticas conhecidas ou de cariótipos alterados no casal geralmente constituem indicações mais objetivas de PGT-M ou PGT-SR, respectivamente. 

 

No entanto, a ideia de saber previamente se o embrião é cromossomicamente normal é altamente atrativa. Pode-se evitar o abortamento decorrente da implantação de embrião alterado, bem como o nascimento de crianças com alterações cromossômicas compatíveis com a vida, como a síndrome de Down (trissomia do cromossomo 21), por exemplo. Além disso, estudos mostram altas taxas de gravidez quando embriões euploides (cromossomicamente normais) são transferidos.

 

Sendo assim, por que então a biópsia embrionária já não foi incorporada a todos os tratamentos de fertilização in vitro? Porque existem sérias limitações e dúvidas quanto ao seu real significado. 

 

A maior parte das biópsias é realizada em blastocistos (embriões em quinto ou sexto dia de desenvolvimento). No blastocisto, duas regiões podem ser identificadas: o trofoectoderma (que originará a placenta) e a massa celular interna (que formará o feto propriamente dito). As células estudadas são retiradas da parte do trofoectoderma. Sabe-se que, por vezes, alterações cromossômicas do trofoectoderma podem não estar presentes na massa celular interna (que é a parte que origina o feto). Assim, um resultado alterado da biópsia não significa, com 100% de certeza, que aquele embrião seria inviável.

 

Além disso, há discussão sobre eventuais alterações cromossômicas transitórias que talvez não persistissem se aquele embrião pudesse continuar a se desenvolver. E existe ainda o mosaicismo: embriões mosaicos possuem células normais e células alteradas em proporção e localização variadas. Dependendo da amostra obtida, podemos ter resultados de biópsia diferentes. 

 

Finalmente, é possível que o procedimento da biópsia em si reduza o potencial de implantação do embrião. Imaginemos um embrião cromossomicamente normal: seria sua chance de originar gravidez exatamente a mesma sendo ou não biopsiado? É possível que de fato haja algum impacto da biópsia sobre a chance de implantação do embrião – o que justifica estudos atualmente conduzidos com o objetivo de se estudarem os cromossomos embrionários de forma não invasiva (analisando material genético no meio de cultura, por exemplo). 

 

Concluindo, a biópsia embrionária é bem indicada quando o objetivo é evitar a transferência de embrião com mutação genética causadora de doença hereditária, como a fibrose cística, osteogênese imperfeita, distrofias musculares, entre outras (PGT-M). Mas, quando o objetivo é testar o embrião em relação ao seu número de cromossomos (PGT-A), as indicações não são tão precisas. Casais com alterações estruturais de cariótipo (PGT-SR) ou com antecedente de gestação com criança afetada por doenças cromossômicas podem de fato se beneficiar da técnica. Quando o objetivo é aumentar a chance de sucesso do tratamento como um todo, o real valor da biópsia embrionária não está bem estabelecido. A decisão em fazer ou não o procedimento deve ser tomada somente após discutir e ponderar juntamente com o especialista os prós e contras em cada caso particular.  

 

GINECOLOGIA E OBSTETRICIA em Clinica Viventre
CRM: 90.873

Formado pela Faculdade de Medicina da USP e com Residência Médica no Serviço de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas da USP, Dr. Sergio desempenhou papel importante como Médico Preceptor da Clínica Ginecológica do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas.
É Especialista em Ginecologia e Obstetrícia e certificado pelo CETRUS – Centro de Treinamento em Ultrassonografia de São Paulo em Ultra-sonografia em Ginecologia e Obstetrícia e Ultrassonografia transvaginal.

Membro do American Society for Reproductive Medicine (ASRM) e do European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE).
Especial área de interesse em imunologia reprodutiva e abortamento de repetição.

Especialidades:
TÍTULOS DE ESPECIALISTA
Ginecologia e Obstetrícia
Reprodução Humana
Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa
ÁREAS DE INTERESSE
Aspectos imunológicos e genéticos do processo reprodutivo
Abortamento de Repetição
Preservação da Fertilidade
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