A gravidez após laqueadura tubária é possível?

A laqueadura tubária (LT) é uma cirurgia em que as tubas uterinas, antes chamadas trompas, são cortadas para evitar permanentemente a gravidez. Para quem fez a LT e quer engravidar, as possibilidades são duas: cirurgia de reversão da laqueadura e a Fertilização in vitro (FIV).

 

O que é a cirurgia de reversão de laqueadura tubária?

A cirurgia de reversão consiste em conectar essas tubas novamente, recanalizando-as a fim de permitir que os óvulos consigam se deslocar pela tuba em direção ao útero e que os espermatozoides possam viajar na tuba até atingir o óvulo.

 

A cirurgia é realizada por laparotomia (cirurgia aberta, com incisão pequena geralmente na cicatriz da cesárea) ou laparoscopia (com ou sem a ajuda da tecnologia robótica). As duas técnicas possuem resultados semelhantes, mas a laparoscopia possui a vantagem de apresentar uma recuperação pós-cirúrgica melhor e mais rápida, e por isso tem sido a mais utilizada.

 

O que acontece durante a cirurgia de reversão de laqueadura por laparoscopia?

Primeiro, o médico faz uma pequena incisão no seu abdômen para colocar uma câmera laparoscópica. Por meio dela, ele analisa se há um pedaço remanescente de tuba uterina suficiente para a recanalização e se o acesso aos órgãos está fácil. Se a cirurgia for viável, ele continua realizando outras pequenas incisões no abdômen e introduzindo os instrumentos laparoscópicos, que permitem que os órgãos sejam operados, manipulando os instrumentos fora do abdômen.

 

O médico irá remover qualquer área com lesão na tuba remanescente e expor uma área saudável. Os cotos saudáveis de cada lado são reconectados por meio de pequena suturas. Após a reconexão, o cirurgião injeta contraste para verificar a permeabilidade da tuba e se não há extravasamento. 

 

A cirurgia de reversão da laqueadura tubária pode levar até duas ou três horas, e exige anestesia geral. No mesmo dia ou no dia seguinte ocorre a alta hospitalar e em uma semana você estará se sentindo bem. Se a cirurgia for por laparotomia, esse período pode se estender por mais alguns dias.

 

Qual a taxa de sucesso da cirurgia de reversão de laqueadura tubária?

Após a cirurgia, o casal deve aguardar um período de tentativas para atingir a gravidez, cuja taxa de sucesso pode chegar a 50-80%. O fator de maior impacto nesta taxa é a idade, mas o resultado está presente em todas as mulheres, independente se fizeram ou não a cirurgia, e ocorre pela queda na quantidade e qualidade dos óvulos com a idade. Assim, as mulheres com menos de 35 anos apresentam melhores resultados.

 

Outro fator que pode impactar na taxa de sucesso é a técnica utilizada na cirurgia da laqueadura. Se foi apenas cortada e ligada ou clicada, é melhor do que se tiver sido queimada (utilizado o eletrocautério). Quanto maior o trecho ressecado e menor o remanescente, pior o resultado. A habilidade do médico que está realizando a reversão também é muito importante. 

 

É válido lembrar, contudo, que reconectar as tubas não vai garantir que a gestação ocorra. Pode ser que a funcionalidade da tuba não se restabeleça e a gestação não ocorra. A chance de gravidez ectópica também aumenta, uma vez que o embrião pode encontrar dificuldades na trajetória até o útero e pode acabar implantando na tuba.

 

Qual a taxa de sucesso da cirurgia de reversão de laqueadura tubária?

Após a cirurgia, o casal deve aguardar um período de tentativas para atingir a gravidez, cuja taxa de sucesso pode chegar a 50-80%. O fator de maior impacto nesta taxa é a idade, mas o resultado está presente em todas as mulheres, independente se fizeram ou não a cirurgia, e ocorre pela queda na quantidade e qualidade dos óvulos com a idade. Assim, as mulheres com menos de 35 anos apresentam melhores resultados.

 

Outro fator que pode impactar na taxa de sucesso é a técnica utilizada na cirurgia da laqueadura. Se foi apenas cortada e ligada ou clicada, é melhor do que se tiver sido queimada (utilizado o eletrocautério). Quanto maior o trecho ressecado e menor o remanescente, pior o resultado. A habilidade do médico que está realizando a reversão
também é muito importante.

 

É válido lembrar, contudo, que reconectar as tubas não vai garantir que a gestação ocorra. Pode ser que a funcionalidade da tuba não se restabeleça e a gestação não ocorra. A chance de gravidez ectópica também aumenta, uma vez que o embrião pode encontrar dificuldades na trajetória até o útero e pode acabar implantando na tuba.

 

É possível engravidar depois dessa cirurgia?

Sim! E essa é o foco depois dessa cirurgia! Cerca de 30 dias após a cirurgia de reversão de laqueadura, a mulher já possui fertilidade. As chances de engravidar dependem de diversos fatores como idade, reserva de óvulos, qualidade do sêmen do parceiro e do tipo de cirurgia feita para reverter a laqueadura. A média é que ocorra a gestação de 6 meses a 1 ano após a cirurgia.

 

É importante considerar que as chances da mulher engravidar novamente depois da cirurgia é de 40%, mas as que tem menos de 35 anos essa porcentagem pula para 80% de sucesso.

 

Riscos da cirurgia de reversão de laqueadura tubária

Quando a paciente decide que quer reverter sua laqueadura tubária, ou seja, religar suas trompas e poder estar fértil novamente, é necessário que realize diversos exames, assim como no parceiro, para saber se a gravidez de fato será possível.

 

Após a cirurgia, a mulher pode ficar internada de 1 a 3 dias, e ficar sem realizar atividades físicas ou relações sexuais durante 1 mês, com a intenção de se recuperar completamente. Após esse período as relações e as atividades físicas podem voltar gradualmente, com cuidado e orientações do médico.

 

Algumas pacientes perguntam sobre os riscos desse procedimento e o maior risco, mesmo que pequeno, é de ocorrer a gestação ectópica. Dependendo da porção da trompa em que foi feito o procedimento, as chances de haver essa complicação chega a 20% dos casos.

 

 

FIV para mulheres com laqueadura tubária

 

A outra opção para as mulheres que fizeram laqueadura tubária é a fertilização in vitro
(FIV). Na FIV, os óvulos são fertilizados pelos espermatozoides em laboratório e os
embriões formados são transferidos diretamente ao útero 3 a 5 dias após.
Para saber mais, acesse a página Fertilização in vitro em nosso site.

 

Enquanto a ideia a cirurgia de reversão da laqueadura é restabelecer a função das tubas
uterinas, na FIV a ideia é substituir essas tubas, fazendo todo esse processo que ocorreria
nela (fertilização do óvulo pelo espermatozoide e formação de embrião) acontecer em
laboratório.

 

FIV ou cirurgia de reversão de laqueadura: qual tratamento escolher?

 

A escolha entre a cirurgia de reversão de laqueadura e a FIV deve ser individualizada. A
reversão da laqueadura traz uma menor chance por mês da mulher engravidar, mas a
chance cumulativa vai aumentando todo mês. A FIV traz uma chance maior naquele mês
ou, no máximo, em mais poucos ciclos posteriores da transferência do embrião congelado.
Alguns fatores, contudo, podem colocar a FIV como primeira opção:

 

● mulheres com mais de 37-40 anos: mulheres nesse grupo já podem encontrar
dificuldade para engravidar independente da laqueadura, portanto, a FIV pode trazer
melhores chances. Por outro lado, mulheres com menos de 35 anos podem
apresentar chance de engravidar até duas vezes maiores com a cirurgia de reversão
de laqueadura do que com a FIV;

 

● qualidade do sêmen do parceiro ruim: nesses casos, se realizasse a reversão da
laqueadura, o casal poderia continuar encontrando dificuldade para engravidar;

 

● mulheres com outros fatores de infertilidade: o raciocínio é o mesmo da qualidade
seminal ruim. Fatores como endometriose, não ovulação, podem levar a uma
dificuldade de engravidar naturalmente;

 

● dificuldade técnica para a cirurgia de reversão (trecho remanescente de tuba uterina
muito pequeno, aderências pélvicas);

 

● casal que não pode/quer esperar o tempo necessário de tentativas mensais após
cirurgia de reversão.

 

 

Converse com seu médico sobre essas duas possibilidades para que juntos vocês possam
chegar ao tratamento mais adequado para você.

Dra. Paula Marin

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